domingo, 27 de julho de 2014

O MAR, O SOL E A LUA ( Poesia em cordel)




O MAR, O SOL E A LUA

Lá no inicio dos tempos

O sol, o mar e a lua,

Ainda não se conheciam

Vivia cada um, na sua

E o universo meio sem graça,

Sem nada, sem carapaça,

Sem forma, sem escultura.

 
A lua, branca, gélida e tímida,

Não tinha como se acender

E na imensa escuridão

Ela tinha que viver

E, nem sequer imaginava

O que lhe ia acontecer.

 
O mar, tão grande... coitado!

Andava triste a penar

Vivia a vida encolhido

Com medo de se espalhar

Vejam só que ironia

Pois na sua linda harmonia

A terra vinha banhar.

 
O sol, muito esquentadinho.

Inquieto e esquisito

Num momento ele pensou

Ter visto algo bonito

Curioso que só ele.

Saiu do esconderijo.

Grande foi sua emoção

Diante do infinito!

 
Deus, na sua onipotência,

Decidiu articular

O encontro do mar, do sol e da lua

Imaginem! O sol, a lua e o mar...

Os três... Disse a Trindade Santa:

_ Quero ver no que vai dar!

 
O sol apaixonou-se pela lua,

A lua apaixonou-se pelo mar

E Deus, ajeitava daqui e dali...

E Deus ajeitava aqui e acolá...

Então o sol convidou a lua

Para com ele, morar.

 
A lua disse ao sol:

_ Sinto muito, meu amigo

Pois você não percebeu

O que acontece comigo?

Quando estou perto de você

Sinto-me adormecer

Sinto algo muito esquisito!

 
O sol muito decidido

Quis achar a solução

Mas não havia nenhuma

Que lhe acalmasse o coração

O mar, assistindo a cena,

Do sol ele sentiu pena

E resolveu a questão.

 
O mar comoveu-se tanto

Que desatou a chorar

Com a triste história de amor

E começou a se espalhar

Foi se espalhando... Se esparzindo...

E o sol e a lua subindo

Para não se afogar

Até que encontraram o céu

Que hoje é seu lugar.

 
Depois que tudo passou,

Que o universo parou

Tudo era calmaria!

Foi aí que a lua viu

A beleza que surgiu

Não acreditou no que via!

 
A lua, ainda assustada;

Sem entender quase nada

Quis se desabar em prantos

Mas um espetáculo maior

Re, mi, fá, sol, lá, si, dó.

Veio trazendo remanso.

 
Finda o primeiro dia

O que nos dá nostalgia.

O sol quieto num canto

Chamou a atenção da lua

Sua forma, limpa, nua;

O seu calor, seu encanto!

Seus raios, a sua luz,

Refletidos no mar azuis;

As ondas do mar rolando!
 

Chega a primeira noite.

E a lua sozinha ao léu,

O sol sentindo saudades,

Jogando sua luz no céu

Fez a lua então, brilhar,

E tornou-se seu Corifeu!


 
O mar segura suas ondas

Nas manhãs ensolaradas

Para contemplar o sol

Nas suas águas salgadas

É Deus, mais uma vez,

Na sua grande honradez

Sublimando a alvorada
 


E nas noites enluaradas

A lua vem beijar o mar

Como em agradecimento

Pois ela desce do céu

Vem arrastando um véu

É tão lindo esse momento!

 
 
A lua e o sol estavam

À solidão condenados

Pois enquanto um dormia

O outro estava acordado

Então, Deus deu um jeitinho;

Sem eles não tem destino

Para os enamorados! 

 

Em Piripiri: 26/07/14

 

 

 

 

 

 

 

 

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