Fechei os olhos, e, aos poucos fui voltando para mim
mesma.
Havia uma porta, mas estava trancada. Empurrei, bati.
Quis chamar-me. Temi.
Escutei barulhos... Muito barulho!
De repente, a porta ficou entreaberta e devagarzinho
fui entrando.
Enxerguei-me como quem vê o tempo prestes a chover...
Fechado... Numa penumbra... Nublado!
Arregalei meus olhos para mim mesma, querendo
conhecer-me.
Mas, a escuridão surgiu. Era noite, e, fiquei ali,
quieta, e,
demorei acender
a minha luz. É sim, descobri que eu tinha uma luz própria,
e decidi deixá-la sempre acesa!
Diante dessa luz refletiu a minha face, mas os olhos
não queriam encontrar os meus olhos. E insisti.
Numa luta contra mim mesma consegui olhar nos olhos
meus...
Vi alguns anos passados diante de mim,
Vi a dor, a fraqueza e a sorte,
Vi o amor e a morte! Aprendi!
Descobri que conseguia falar de morte por no máximo
cinco minutos
O que já é muito, para alguém que prefere e ama a
vida!
Olhando nos olhos de mim mesma deparei-me com os
dissabores da
Solidão... Mas numa visão egoísta e sem nenhuma
nobreza!
Então, mergulhei mais profundo neles e me vi.
Vi que nunca estive sozinha. E naquele momento
vislumbrei a mim mesma sendo acolhida nos braças de um ser
infinitamente amoroso!
E ali, descansei...
Depois, mais forte e revigorada, continuei meu caminho
em mim.
Encontrei rios de lágrimas,
Montanhas de sorrisos,
Encontrei orações perdidas pelo chão, e vi também,
Alguns anjos emprestarem-me suas asas!
Encontrei em mim alguns pedaços, não entendi. Quis
emendá-los,
Mas, alguns se encaixavam e outros não!
Eram pedaços de mim. Pedaços de minha infância,
Outros da minha
adolescência, e tantos outros...
Juntei... Guardei todos na memória do meu eu!
Resolvi seguir em frente nessa busca.
Encontrei uma caixa enorme e firme; tentei abri-la,
Estava endurecida, rústica e meio fria! Senti medo!
Eu não permiti a mim abri-la. Mas, num descuido,
vi-me diante de um coração amargurado, triste,
machucado e
decepcionado, recusando-se a amar de novo!
Não queria sofrer! Essa foi uma tarefa talvez, a mais
difícil nessa caminhada.
Mas, dei a mim o direito de amar e ser amada novamente!
Confesso que muitas e muitas vezes, senti vergonha de
mim e muitas outras,
Dava em mim uma vontade de castigar-me.
E foi assim que aprendi a duras penas a perdoar.
Pois, me amando perdoei a mim mesma.
Jamais esquecerei os momentos em que senti piedade de
mim.
E, num esforço profundo, desatei a sorrir... E, diante
de mim,
Não segurei e gargalhei... Então ali percebi a força
em mim!
No mais intimo do meu ser, senti nojo de mim mesma!
Quis voltar, sair dali, fugir? Mas a curiosidade em
conhecer a mim
Fez-me ficar e ver o quão absurdo era o egoismo, o
vício, a soberba e
O comodismo dentro de mim!
E esse foi o lugar onde houve mais resistência à
mudança
De que eu precisava e que preciso para ser eu mesma!
E é bem aqui que essa busca é contínua...
E tem que ser agora... Não quero perder-me!
Vislumbrei a grande mulher em mim!
Mãe, filha, tia, professora...
Descobri que já não sou só guerreira, mas solícita.
Senti o medo de ser escrava de mim mesma e por isso,
Cobrei a mim a decência dos atos e a clareza dos fatos
e
Criei princípios fundamentados nessa busca de mim
mesma.
Abomino a corrupção e o falsário!
Luto somente pela liberdade!
E a liberdade pra mim é a autenticidade do eu!
Estou conhecendo a mim mesma!
Buscando-me a cada dia. Voltei e abri meus olhos!
Sou frágil e forte
Sou pedra e água
Sou ferro e fogo.
Sou única!
Voltei e abri
meus olhos!
Irane dos Anjos.
Piripiri, 06/09/14. Às 14:52
hs.

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